Jairo Goldflus – Privado

“A nudez expõe, mas também fortalece. Nus, ficamos sem os filtros que escolhemos para mostrar e ocultar o corpo do olhar alheio. E, uma vez despojados das roupas que fazem essa mediação, estamos livres para nos lançar em percursos pessoais, em memórias, na naturalidade de linhas, curvas, cores e texturas que nos tornam únicos e individuais. É um momento de encontro e de força. São esses instantes libertadores e de liberdade – do fotógrafo e das fotografadas – que pontuam esta série, batizada de “Privado” e composta por momentos íntimos em que é franqueada a entrada alheia. O que vemos nas fotos resulta da cumplicidade, da permissão para partilhar o que há de mais pessoal. “Privado” foi feito em cerca de oito meses, no estúdio de Jairo Goldflus, em São Paulo. Antes das fotos, Jairo conversava com as modelos e amigas convidadas. Nos encontros, a primeira pergunta era como se imaginavam nuas. Para algumas, foi a oportunidade de visualizar algo jamais pensado. Outras trouxeram repertórios de imagens fantásticas/fantasiosas, como a da nudez flutuante, que foi materializada. A fotografia tornou real esse momento impossível em que o corpo, nu, ignora a realidade e flui. Parte para pairar magica e autonomamente sobre o vazio. A imagem convida para a desconexão com os limites cotidianos e a reconexão com universos imaginários. É a ruptura do olhar permitida pela fotografia. As fotos da série têm início portanto em histórias e referências individuais, nunca mostradas de modo literal. Funcionam como pontos de partida para as imagens, e delas vemos momentos que ora evocam a beleza em poses clássicas, esculturais, ora expõem a força de formas quase perfeitas em seu despojamento. Sinuosas, longilíneas, fartas, frontais, fortes em um conjunto que transpira a potência dos corpos, em movimento ou em repouso. Este é um livro que exala a energia do corpo e da vida. Uma saudável celebração da beleza. O projeto é também uma história de iniciações: a maioria das fotografadas jamais fizera ensaios de nudez. Os trabalhos de Jairo, tanto os comerciais como os autorais, tampouco são caracterizados por nus. Despidas literalmente de cacoetes, as fotografadas permitiram ao fotógrafo buscar “a beleza de forma mais livre do corpo humano. Algo que o retratado ainda não tinha dado para outro fotógrafo. O quase furto da imagem única. Atemporal, sem pré-concepções, num resgate da irresponsabilidade fotográfica. Um exercício das possibilidades estéticas da nudez, sem pretensão. O fotógrafo tem o gatilho propulsor”, fala Jairo. A “irresponsabilidade fotográfica” diz respeito à liberdade com que conduz seus trabalhos não-comerciais, sem o briefing que tem como objetivo a venda de um produto. Aqui, “Privado” se contrapõe/complementa a “Público”, nome do projeto e do livro precedentes, de retratos de pessoas públicas.

PAPEL:

Garda Kiara 135grs

DETALHES:

Capa dura com laminação soft touch, impresso processo 4Gray®

PRÊMIOS:

Finalista do Prêmio de excelência gráfica Fernando Pini 2015

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